A ciatalgia é causada pela compressão ou irritação do nervo ciático, geralmente por hérnia de disco lombar. Manifesta-se como dor que irradia da lombar pela perna. 90% dos casos melhoram com tratamento conservador em até 12 semanas.
Anatomia do nervo ciático
O nervo ciático é o maior e mais longo nervo do organismo humano. Origina-se das raízes nervosas L4, L5, S1, S2 e S3 na região lombossacra, atravessa a pelve pelo forame isquiático maior, passa sob o músculo piriforme e desce por toda a face posterior da coxa até se dividir em nervo tibial e nervo fibular comum na fossa poplítea. Inerva a musculatura da perna e o pé, além de ser responsável pela sensibilidade da face posterior do membro inferior.
Causas da compressão do nervo ciático
- Hérnia de disco lombar: causa de 85% dos casos. Compressão das raízes L4, L5 ou S1 por protrusão ou extrusão do disco.
- Estenose do canal vertebral: estreitamento por hipertrofia óssea e ligamentar, mais comum em maiores de 60 anos.
- Síndrome do músculo piriforme: compressão extradural do nervo pelo piriforme contraturado, sem alteração estrutural da coluna.
- Espondilolistese: deslizamento vertebral que reduz o espaço para a raiz nervosa.
- Causas raras: tumores, hematomas, abscessos, endometriose pélvica.
Sintomas da ciatalgia
Dor que irradia da lombar ou glúteo pela face posterior ou lateral da perna, geralmente unilateral, de característica em queimação ou choque elétrico. O trajeto exato e os sintomas neurológicos associados variam conforme a raiz comprometida:
| Raiz | Dor | Fraqueza | Reflexo afetado |
|---|---|---|---|
| L4 | Coxa anterior e medial da perna | Extensão do joelho | Patelar |
| L5 | Face lateral da perna e dorso do pé | Dorsiflexão do pé | Nenhum consistente |
| S1 | Face posterior da perna e planta do pé | Flexão plantar | Aquileu |
Diagnóstico
A ressonância magnética da coluna lombar é o exame principal. O teste de Lasègue (elevação da perna estendida com o paciente em decúbito dorsal) tem sensibilidade superior a 85% para hérnias lombares. A eletroneuromiografia é solicitada em casos atípicos ou para quantificar o grau de lesão nervosa.
Tratamento
O tratamento conservador inclui analgésicos (AINEs, paracetamol), neuromoduladores (gabapentina, pregabalina) para o componente neuropático, fisioterapia com mobilização neural e exercícios de estabilização, e infiltração epidural nos casos refratários. A cirurgia (microdiscectomia) é indicada para déficit neurológico progressivo ou dor incapacitante refratária por mais de 6 a 12 semanas.
Prevenção e prognóstico
O prognóstico é favorável: 90% dos pacientes melhoram em 12 semanas. Estudos de imagem demonstram reabsorção espontânea do material herniado em 6 a 18 meses na maioria dos casos.
Revisor técnico do Atlas da Coluna. Conteúdo avaliado quanto à precisão clínica antes da publicação.